A velhice na sociedade do mal-estar trás reflexões teóricas através da psicanálise, baseado nos autores como Freud, Winnicott e Beavouir. Possibilitando a percepção do ponto de vista da sociedade contemporânea de como é entendida e aceita a vida do sujeito longevo, muitas vezes sendo deixada de lado pela sociedade atual, com a tentativa de reduzir a subjetividade do longevo e seu modo de viver no mundo.
Temos atualmente uma crescente de idosos no Brasil e no mundo que refletem a sua condição social. Reconhecer e aceitar a velhice como parte integral da vida pode levar a uma sociedade mais inclusiva e compassiva, onde os idosos são respeitados e valorizados por suas contribuições e conhecimentos acumulados ao longo dos anos.
As influências sociais que moldam a vida das pessoas idosas impõe a subjetividade do longevo numa condição de vida voltada mais para as categorias e limitações físicas como se existisse uma única forma de velhice, mas não considerando suas múltiplas formas de envelhecer, uma vez que, “não existe coisa de velho”, mas o que cada um irá fazer e significar nessa fase mesmo sendo marcada por perdas significativas.
O idoso pode encontrar na psicanálise de forma relevante o acolhimento de suas demandas. Em transferência terapêutica, o longevo tem oportunidade de se sentir aceito e compreendido sem julgamentos, ter o momento para refletir sobre suas escolhas e entender melhor sua complexidade emocional, isso contribui a assumir responsabilidades, se autorizar pelo seu bem-estar. Analisar sobre falhas cometidas no passado e a aceitação desses mesmos erros, isso possibilita nessa fase o acolhimento de limitações que podem contribuir para reflexão mais serena diante das emoções especialmente ao confrontar a finitude e sua natureza efêmera da existência.
O avanço da idade pode influenciar de forma significativa a vida psíquica do idoso e a variedade de experiências trazidas ao longo dos anos, percebê-lo como alguém que mesmo “velho” pode ser levado em conta à construção da vida presente e não se submeter de forma passiva as expectativas do outro, isso atribui valor e significado apesar das inevitáveis perdas que acompanham o envelhecer.
O ressignificar a velhice na perspectiva da psicanálise contemporânea implica dar lugar ao sujeito longevo esse reconhecimento, que possibilita potencializar a esperança nessa fase da vida que pode ser refletido no sentido de promover a capacidade de superar desafios com o intuito de incentivar uma mentalidade construtiva em relação ao futuro, possibilitando o fortalecimento da consciência.
A sociabilização contribui para a construção de uma nova imagem do idoso associado ao sujeito mais ativo e integrado. Interagir socialmente atua como espécie de um antídoto contra a solidão, proporcionando conexões significativas e um senso de pertencimento que é tão relevante para o sujeito longevo, nesse sentido a troca afetiva com outros indivíduos é essencial para a saúde mental tornando uma experiência social mais inclusiva, diversificada e que se sinta valorizado e participativo socialmente.
Segundo a autora Simone de Beauvoir relata que a “vida é um sistema instável no qual se perde e se reconquista o equilíbrio a cada instante; a inércia é que é o sinônimo de morte. A lei da vida é mudar” (Beauvoir, p.15.2016).
Na perspectiva de Beauvoir que nos convida a reconhecer que a vida é um processo dinâmico, cheio de altos e baixos, e que a verdadeira vitalidade está na capacidade de se adaptar, evoluir e mudar. A inércia apresenta resistência à mudança, é o que nos afasta da verdadeira experiência de estar vivo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
BEAUVOIR, S. (2016). A velhice. (pp.15-17). Rio de Janeiro: Nova Fronteira. BEAUVOIR, S. (2016). A velhice. (pp.442-664). Rio de Janeiro: Nova Fronteira.
FREUD, S. (1916). Sobre a transitoriedade. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996. V. XIV, p. 317.
FREUD, S. (1926). A questão da análise leiga. in E.S.B., Obras Completas vol. XX R.J., Imago, 1976.
FREUD, S. (1930). Obras Completas Volume 18: O mal-estar na civilização, novas conferências Introdutórias à Psicanálise e Outros Textos (1930 – 1936). São Paulo: Companhia das Letras, 2010a [1933].
WINNICOTT, C. (1989). D.W.W.: Uma reflexão. In D. W. Winnicott: Explorações psicanalíticas (pp. 1-13). Porto Alegre: Artes Médicas, 2005.
WINNICOTT, D.W. (1967). O conceito de indivíduo saudável. In: D.W. Tudo começa em casa. São Paulo: WMF/Martins Fontes, 2011. P. 3-22. (1967/2011, p. 14).

